A força do cacau produzido na região do Rio Xingu, no Pará, tem ganhado cada vez mais reconhecimento — e agora, também carrega o selo de qualidade da Agência de Defesa Agropecuária do Estado do Pará (ADEPARÁ). Ao todo, quatro agroindústrias de chocolate já conquistaram o registro artesanal vegetal, com destaque para três delas beneficiadas diretamente pelo Projeto Sustenta e Inova.
No município de Brasil Novo, localizado na região de integração do Rio Xingu, o cacau é mais do que uma cultura: é parte essencial da economia local. São mais de 14 mil hectares plantados, com uma produção superior a 10 mil toneladas por ano, movimentando a vida de mais de 1.400 produtores.
O selo concedido pela ADEPARÁ, embora não seja obrigatório, representa um importante diferencial competitivo. Ele garante que o chocolate seja produzido com matéria-prima de qualidade, dentro de padrões rigorosos de higiene, segurança alimentar e processos artesanais sustentáveis. Além disso, fortalece a imagem de produtos oriundos da agricultura familiar, valorizando o trabalho feito em pequenas propriedades e em sistemas agroflorestais.
A história de quem transforma o cacau em chocolate de excelência revela o impacto social e econômico da atividade. É o caso de Irandi Frutuoso, produtora e CEO da Frutuoso Chocolate. Ela reforça o cuidado com cada etapa do processo: “Nosso chocolate é feito com zelo pela saúde de quem consome. Produzimos com qualidade e higiene.”
A primeira fábrica de chocolate a obter o registro artesanal no estado foi a da produtora Jiovana Lunelli, também de Brasil Novo. Seu produto, batizado de Cacau Xingu, carrega mais do que sabor: carrega resistência e história. “Cacau Xingu não é só um chocolate, é um símbolo de sustentabilidade”, afirma Jiovana, que integra uma rede de agricultores familiares que cultivam cacau em harmonia com a floresta.
Outra referência na região é Verônica Preuss, da marca Kakao Blumenn, que atua na zona rural de Brasil Novo. Ela desenvolve receitas autorais com sabores amazônicos, como jambu e cumaru, e já conquistou prêmios nacionais e internacionais pela inovação e autenticidade de seus produtos.
Com o avanço dos registros artesanais, o chocolate produzido no Xingu ganha mais que visibilidade — ganha legitimidade, agregando valor à cadeia produtiva e impulsionando a sustentabilidade na Amazônia. O selo da ADEPARÁ fortalece a economia local, gera reconhecimento e garante um produto mais justo, ético e valorizado para quem consome e para quem produz.
