ALTAMIRA, PARÁ – Em uma região frequentemente associada a desafios ambientais, uma iniciativa inovadora está reescrevendo a narrativa do desenvolvimento na Transamazônica. Alessandra Moreira, fundadora da Ecoplante, transformou o papel descartado em um símbolo de renovação. Sua empresa produz folhas de papel reciclado que, ao serem plantadas, germinam vegetais, ervas e flores.
O processo de fabricação une técnica artesanal e consciência ecológica: a polpa de papel reciclado é misturada à água, espalhada sobre telas finas e recebe sementes que variam de manjericão e rúcula a margaridas. Após o uso, o papel não vira lixo; ao ser colocado na terra, ele se decompõe e libera as sementes. “Eu queria que Altamira fosse conhecida por algo além do desmatamento”, pontua Alessandra.

O impulso do Sustenta e Inova
A trajetória da Ecoplante mudou de patamar no início de 2024, ao integrar o Sustenta e Inova, iniciativa financiada pela União Europeia e gerida pelo Sebrae Pará. “A Ecoplante realmente começou quando entrei no programa”, revela a empreendedora. Através da mentoria, Alessandra refinou sua identidade visual, aprendeu a precificar e a se posicionar como um negócio verde. “Aprendemos a ter um olhar mais crítico sobre o negócio, a melhorar tudo, da identidade visual ao marketing”, afirma.
Os resultados cruzaram as fronteiras do Pará, alcançando mercados em São Paulo, Mato Grosso do Sul e Santa Catarina. Em agosto de 2025, a Ecoplante alcançou um marco histórico: tornou-se oficialmente a primeira papelaria do estado certificada como empresa sustentável.

Bioeconomia e impacto social
Para Paula Couceiro, gerente de projetos do Sebrae Pará, o negócio é um exemplo da inovação necessária para a Amazônia. “O objetivo é transformar a preservação ambiental em modo de vida”, destaca Paula. Mariana Oliveira, do WRI Brasil, reforça que o sucesso de pequenos empreendimentos ajuda a redefinir o desenvolvimento regional ao gerar empregos e dignidade.
Além do impacto ambiental, o projeto fortalece a permanência de jovens e mulheres no campo. “Estamos vendo mais jovens querendo ficar, construir suas vidas aqui”, celebra Paula Couceiro. Para Roberto Porro, pesquisador da Embrapa Amazônia Oriental, a Ecoplante representa a vanguarda de uma bioeconomia inclusiva que gera valor sem destruir o capital natural.
Em Altamira, a Ecoplante prova que o progresso pode florescer a partir do chão, transformando o que seria lixo em floresta.
Com informações do Uol.
